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30/05/2015 - Atualizado em 05/11/2015 às 18:02:53

Competitividade se constrói ao longo da jornada

Um sistema de gestão deve ser concebido e estruturado para garantir bom desempenho do negócio no longo prazo e não apenas em momentos de expansão.

Por Paulo Ghinato - Fundador e CEO da Lean Way Consulting e Ph.D. em Engenharia de Manufatura pela Universidade de Kobe (Japão)

Segundo nos foi ensinado, ainda na primeira metade do século XX, pelos economistas Nicolai Kondratieff, Joseph Schumpeter e diversos de seus seguidores, a economia é um processo eminentemente cíclico, marcado por períodos de expansão (prosperidade) e contração (recessão) das atividades e investimentos. Portanto, os momentos considerados de “crise”, como os que enfrentamos globalmente em 2008 e nesta primeira metade da década de 2010, no Brasil, mesmo que caracterizados como “de ciclo curto”, não deveriam causar as perturbações quase generalizadas em instâncias governamentais e empresariais, evidências de uma “lição ainda não completamente aprendida”.

Um sistema de gestão deve ser concebido e estruturado para garantir bom desempenho do negócio no longo prazo e não apenas em momentos de expansão. Sistematicamente, observa-se esforços para a implementação de sistemas de gestão desenhados para “surfar na onda da prosperidade” e completamente incapazes de conduzir a organização através de períodos de contração. Em momentos de recessão, o que frequentemente prevalece é o desmantelamento de todo o sistema e a adoção do “modo crise” na gestão do negócio: decisões e ações desconexas, frequentemente visando a ótimos locais em detrimento do ótimo global, e focadas em promover resultados no curtíssimo prazo.

Vejamos o Sistema Toyota de Produção (TPS – Toyota Production System), por exemplo, que ganhou forma ao longo de décadas de prosperidade no Japão (o chamado “Milagre Japonês” estendeu-se do final da II Grande Guerra até o “Estouro da Bolha” em 1991). Os grandes esforços, nas últimas duas décadas, visaram torná-lo robusto o suficiente para suportar aplicação em ambientes muito distintos de sua origem, o Japão, e períodos turbulentos e de baixo nível de crescimento. Este sistema de gestão nasceu e desenvolveu-se a partir das operações industriais da Toyota, ganhando corpo e amplitude, e hoje dando forma a um Modelo de Gestão do Negócio que o mundo reconhece como a alavanca-mestre do desempenho superior da empresa e de sua liderança como maior montadora de veículos do mundo.

Esse modelo de gestão, conhecido genericamente como Lean System e aplicado em milhares de organizações - manufatureiras ou não -, ganhou destaque mundial no início dos anos 1990 após a publicação de um estudo do IMVP (International Motor Vehicle Program), transformado em livro por Womack, Jones & Roos, pesquisadores envolvidos neste estudo.

As centenas de milhares de publicações que se seguiram sobre o tema oferecem-nos diferentes interpretações e definições desse sistema que pode ser definido como “Uma maneira de pensar e fazer negócio, promovendo o mais eficaz e equilibrado retorno aos stakeholders, a partir da ferrenha busca por redução de perdas e contínua melhoria na gestão dos recursos e fluxos de materiais e informações”. Esta abordagem implica na necessária e contínua formação e engajamento de todos os colaboradores, criando um verdadeiro “exército de solucionadores de problemas”.

Sob essa perspectiva, podemos perceber que o sistema provou-se aplicável, nas últimas duas décadas, como um modelo de gestão competitivo nos mais diferentes ambientes e tipos de negócio, o que é a chave para o sucesso de um sistema de gestão global e moderno. Sua aplicação estende-se desde a clássica indústria automobilística, passando pela indústria eletro-eletrônica, química, metalúrgica, extrativista mineral, de construção civil, de produção agrícola e alimentícia, até as mais recentes implementações em serviços como educação, saúde, financeiros/bancários, administração pública e organizações humanitárias e sem fins lucrativos.

A questão, então, não é apenas interpretar a crise como uma oportunidade, ou definir o que e como fazer durante a sua passagem. É muito mais sobre reconhecer que os períodos de recessão estão implícitos no processo de crescimento de qualquer organização e que a gestão dos negócios requer, por parte dos líderes, uma visão de longo prazo que lhes permita desenvolver o modelo de gestão adequado ao seu negócio, ao longo da jornada de crescimento, garantindo a navegação em momentos de bons ventos e períodos turbulentos. O Lean System tem provado ser, no mundo inteiro, o “Modelo de Referência” no desafio de construção dos sistemas de gestão.

Fonte: Administradores.com

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